ENXERGAVA TUDO PRETO, PONTILHADO COMO SE TIVESSE CAIDO EM UM APARELHO FORA DO AR, CHAPISCADO CALEIDOSCÓPIO NEGRO DE VERÃO. SENTADA NO BARCO CONTINUEI IMÓVEL DE CORPO, POR QUE A MENTE TINHA A VORAZ ÂNSIA DE ESCREVER QUALQUER COISA, QUALQUER LINHA ABSURDA, DESNUDA, AGUDA , FELPUDA, CASACUDA, LÍRICA, TESUDA, CARNUDA, DUVIDOSA, ASQUEROSA, SEI LÁ...

sábado, 30 de abril de 2011

verdade para além-verdade


Vernoqueda por Daya Gibeli



Era uma princesa. Não era dessa vez tão bela assim. Estava lavando roupa na boca do rio. As mãozinhas dentro d'água... 
O corpo sem cálculo de pensamentos. O rosto figurava um nada angelical.
Foi quando de repente impunemente subitamente desesperadamente...
do pai-de-todos lhe foi usurpado seu anel inoxidável.
Ela, desesperada, inventou falsas verdades, épicos mirabolantes, tudo para satisfazer-se a si mesma... princesa decadente... e a seu pai... um homem mau!  
Já o anel fora comido por um peixe, que enojado com o gosto apedrejante, cuspiu-o na terra em belíssimo voo flutuante. Voo de peixe, guelras de peixe, olho de peixe...
Sementes de maçã germinavam naquela terra. E a seiva madrepérola da árvore ressuscitou o anel, que floresceu e alojou-se num fruto, o mais pomposo e suculento fruto... o mais vermelho!

Algum tempo... 

E um príncipe estrondoso estava a fazer cooper ao lado de seu cavalinho pela região. Encantou-se com o maravilhoso pomar. Nunca vira coisa mais encantadora de minuciosidades...  Para saciar a fome que o arrematou pelo olhar. Arrancou um fruto... pomposo e suculento... o mais vermelho! 
Ajeitou-se e mordeu a carnuda maçã.
Poow! Quase perdeu o dente, mas encontrou o anel.
Subitamente pensou – como príncipe estrondoso que era -: "pelas barbas del rei... com este anel... poderia morder as maças de uma donzela"



quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fotógrafa Irina Ionesco

A mulher aranha tinha toda a verdade de si nos seus olhos, repletos de teias inundadas de palavras e sonhos... espera ávida a chegada do amor que nunca chega. Deita e curva-se. O ventre, vísceras pungentes, pronto a devorar, de geração em geração, chaves que não serviriam para abrir suas portas. Era interrogada sentada numa cadeira, com os olhos vendados, sussurrava:
- Escute o beijo dos grandes lábios
Masturbava-se acariciando o couro cabeludo e as plumas, grito selvagem, infâmia. Era muito mais misteriosa, guardava o néctar divino cheia de si e de seus olhos, bastava-se. Os dedos conhecedores de todos os segredos, deliciavam-na de paixão e gozo. A língua molhava os lábios sedentos pela ardência do amor irreversível.

terça-feira, 26 de abril de 2011

menino que tem a rua toda para si


Meninos de rua por Eduardo Dias Gontijo

os olhos do menino de expressão fugidia
diziam algo que eu não entendo
entre carros ferozes, vielas desmedidas, sinais quebrados, radares eficazes, vidros fumê, pontes de plataformas enferrujadas, cabeças cabeças cabeças cabeças ................................. tudo fica como está, quem sabe?
pernas caniços marcadas com as chagas da vida do menino que já nasce homem
desperta distante da terra do sonho, da pipa, do algodão doce, do carrossel
conhece o isopor, a pele, os gritos desaforados, o troco do dinheiro pingado, a ignorância alheia
tem dia que o craque, o engolir fumaça e desgraça, cola, o dormir na vala, a falta de tempo e identidade, o murro na cara, sopa de pedra, fedor, solvente, fraqueza 
a feição não muda queimada de fome e de sol, sol carrasco, olho do cão, encontro com o diabo, com a sobrevida, com o dia após dia que o obriga a encher barriga e esquecer a bola, a pipa, o algodão doce, a travessura
obriga a viver ali para sempre, menino expressivo, o rosto bem marcado, pele enrugada por dez, 10 anos de sofrimento
menino que já nasce para morrer, menino de rua

sábado, 9 de abril de 2011

o louco acha que é são, mas eu sou louco

(Ferragens de um automóvel dando a luz a um cavalo cego comendo um telefone - Salvador Dali/1938 )



Madruga
um animal imenso passa desapercebido diante de meus olhos
desmaia suas asas sobre mim
escravizando-me etéreo e transtornado
Tenho medo de fechar as pálpebras e adormecer
encontrá-lo repartido numa obscuridade gelada e suas medusas
Incompreendido
como uma pena dançando sozinha
delirante flutuando na folha branca
Sem limites
uma gota azul-petróleo debruça seu encanto molhado, indissolúvel e cheio de vida
traços despreocupados de quem não almeja a perfeição; ela não há
livre de realidades criadas por apertos de mão
monstruosamente alucinado pelo mundo dos sonhos, amante da ilusão
Surrealismo de Dali
Palavras suavemente cortantes de Lorca
janelas abertas para o mundo, um mundo gigantesco
lá onde tudo pode, lá onde seres fantásticos sobrevivem aos maiores sacrifícios
Primazia do Éden
música música música... para a alma

quinta-feira, 7 de abril de 2011

o gosto salgado do mar de lágrimas banhado em sangue

criança e o sentimento de não estar totalmente. não sabia dizer, só sabia calar. a vida um não-lugar, e por nada ter, não tem nem mesmo recordações, nenhum projeto. perdido no umbral do deslocamento do sujeito. o ensimesmamento, o gesto de curvar-se sobre si mesmo, o rígido corpo um cilindro jogado no vácuo, flutuando sem oxigênio, sem pensar no ontem nem no amanhã, definhando.

crendo em deus, concentrando a fé em seu deus, postura atônita e absorta, toda a energia idólatra delirante revertia-se em uma vontade, o ruído de uma voz quase imperceptível vinda do de dentro: "vá pegar eles!" estágio máximo e enfurecido do transe - mórbido mantra.

ele levanta decidido e extravagante e vai... vai predestinado a cumprir sua resignação, move-se lentamente, irreversível.
"sim! as virgens me dariam o banho prometido."
conseguiria limpar o nome que há tanto não lhe pertencia. nos meandros de um labirinto escolheu suas musas uma a uma, as guardiãs do paraíso... o caminho. nele, seria pleno. o presente feroz e crônico que se realiza no futuro. o último círculo. acordaria do sono da morte e iria para a vida.

a escola, duas armas, 32 e 38, a chuva de balas... e ele é visto rindo... ele que nunca é visto rindo, mas desta vez, era deus, soberano de tudo sobre todos e acima de todas as coisas. era o seu deus. estava possuído, em sua força nada o ameaçava... foram dez virgens, escolhidas friamente. matou também um garoto, todos mortos com tiros na cabeça ou no peito. gozava a sensação narcótica da vingança, o sabor de ter tudo nas mãos. obscuro numa espécie de bolha era ignorante ao grito aterrorizado das crianças.

quando os policiais chegaram foi tocado por uma sensação muito estranha, quente, leprosa, olhou em volta e percebeu e sentiu pânico de ser quem era. teve medo de seu destino, correu atirou atirou atirou. dois tiros acertaram seu peito, caiu no chão e foi se arrastando para um canto da escada, achou um vidro que dava para ver seu rosto, estava podre, vermes brotavam dos olhos e lhe corroíam a pele em decomposição

diabo diabo diabo... enfiou a arma em diagonal no céu da boca e pá...
encontrou a si mesmo


Quinta-feira, 7 de abril, logo cedo. Escrevi esse texto para nunca mais esquecer... doentio e cortante

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Coreto de Piranga


Quilômetros de estrada e curvas perigosas. Dois desvios cheios de medo; o carro derraparia no menor movimento vacilante. Casinhas coloridas brotavam uma a uma numa rua de losangos empedrados. Sobe e desce de morros estreitos e famílias sentadas na soleira. Chegamos numa praça florescida por lírios, o despertar de seu lirismo; palmeiras imperiais, a fascinante supremacia, e pessoas dispersas em bancos bem colocados. Estendidas no umbral do presente. O coreto, no centro, tinha uma arquitetura delicada. Fora construído minusiosamente por mãos atentas à ciência ancestral, mãos que pincelaram ora a limpidez do branco, ora o ocre cor de carne, simbologia da relação da cor vermelha com o princípio ainda sobrevivente.
Pequenos pedaços de sons preenchiam os espaços vazios e pensamentos distraídos. As notas vinham distantes, de bumbos, cuícas, tambores e chocalhos - veludo para os ouvidos. A inusitada música caminhava, chegando de várias direções. Desciam crianças tocadoras de todas as ruazinhas estreitas direto para a praça central. A fabulosa banda de carnaval era a gêneses do novo. O mais velho integrante, o mestre de bateria, tinha uns quinze anos, talvez menos. Reciclavam marchinhas de Adoniran, Ari Barroso, Chiquinha Gonzaga...
O coreto celeste milagrosamente abria caminho "Ó ABRE ALAS QUE EU QUERO PASSAR..." as pessoas eram tocadas pela música e sorrisos orquestrados no ar feito estrelas iluminando o crepúsculo, as crianças vinham como anjos trazendo na harmonia a felicidade da cidade pintalgada de corações acesos.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Praça XV em construção











Que droga é essa?

Outro dia entrei no 100(ônibus; Niterói - Praça XV), que diga-se de passageira, é sempre um acontecimento. Era madrugada, nebulosa e fria... na realidade, nebulosa e bêbada. Foi sábado de carnaval, entende? Na ocasião eu era a sininho. Estavamos eu e Peter voltando da terra do nunca, quando entraram no ônibus uns 20 caras, sabe essas pessoas animadas que andam em bando? Então! A galera sentou-se atrás da gente. Falavam merdas e mais merdas: coliformios festais; a bunda tocou só música irada; o mundo seria melhor se fosse feito só de mulher; se afoda seu arrombado; o cara malha e tá com o bipedes manerão... entre outras que desistimos para não ficarmos menos inteligentes, vai que pega, né?
A melhor de todas disparada, vencedora do podium universal intergalático, foi quando o cara disse: tem uma parada gringa aqui pra gente!
Pensei logo no pior. Ih! vão fuma um baseado ou cheira uma cocaína, vai saber? É carnaval...
Eu e Peter olhamos de rabo de olho e vimos uma embalagem quadrada de plático azul quase piscina, o que seria?...
Ai mermão, pega um ai! Mas só um, essa parada é cara, é negócio do bom.
Tentamos olhar discretamente, como quem nada quer. Notei um deles desembrulhando um plastiquinho transparente. Dentro tinha uma coisa estranhíssima, parecia um chiclete de um laranja neon. E diziam cada um a seu tempo: isso é bom pra caralho! Cara, onde cê arrumo isso? melhor parada! maior onda!
Ficamos muito curiosos, curiosíssimos e bota curiosos nisso...
A ponto de rasgar a pele, arrancar os cabelos, fazer uma reza ao santo das causas bizarras, estragar a fantasia... até que... finalmente... um dois coleguinhas perguntou: mas que droga é essa?
Isso é tipo um peixe, sei lá... se chama Kani, é japa!

quarta-feira, 23 de março de 2011

o fazendeiro de dentes só fornece para fadas madrastinhas


Meu sobrinho apareceu sem uns cinco dentes na boca (é! também não dava pra ser em outro lugar, neh? Não iam ser de alho ou de pente)

Que é isso menino?

Ele me contou que tinha sonhado com a fada do dente. Achei meio estranho aquilo.

Tia, minha mãe disse um dia que meu dente caiu, que se eu colocasse ele pra fada do dente, ela me dava uma nota de um real. Ai eu falei: mas mãe, não tem mais nota de um real. Então ela deve dar de dois. Ai fui dormir... caraca, dois real por um dente podre... Quando a fada veio, quis dar o dente pra ela, mas ela disse que só tinha uma nota de dez, perguntou se eu tinha troco. Falei que não. Ai ela disse: você quer adiantar uns dentinhos? Quanto eu ganho? A nota toda...

(contou nos dedos) Claro! Dez real!

Acordei quando cai da beliche.

quarta-feira, 2 de março de 2011


na estrada cabelos ao vento diluviando as possibilidades da noite. estrelas gotejam umidamente nostálgicas... Te quiero!! soam castanholas atrevidas nas mãos da estupenda bailarina flamenca!! porque sou ciganaaa aaah...
uma mulher de amor rasgado perseguida pela inquisição

domingo, 20 de fevereiro de 2011

a lenda do prédio verde-meleca. Porque o E.T não morreu!


Boa noite, telespectadores!

São 00:10.
Estamos aqui na rodoviária de Conselheiro Lafaiete, cidadezinha do interior de Minas Gerais. Daqui podemos ver em primeiro plano, o prédio mais famoso da cidade.
Há muitos anos atrás, conta a lenda, que esse prédio fora abduzido por extraterrestres não identificados. O prédio de treze andares sumiu inexplicavelmente por algumas horas. Pesquisadores de diferentes áreas e ufólogos do mundo inteiro tentaram decifrar o mistério, mas até hoje, nada foi descoberto.
A lenda do prédio verde-meleca perpetuou-se devido a marca deixada pelos visitantes do espaço. Uma linha de plasma intergalático, verde-meleca, corta o prédio inteiro do chão até a superfície. Realmente um fenomeno bizarro que atrai turistas do mundo inteiro.
(música do arquivo X para fechar a matéria)

Entrevista com o síndico do prédio (em vídeo no youtube):

Revista Plutão Para Sempre
O Senhor já notou alguma coisa estranha no prédio?

Síndico que não quis se identificar

Uma vez um garoto quebrou toda a portaria com um martelo. Estava muito nervoso.

RPPS

Isso teve alguma coisa a ver com o prédio ter sido abduzido?

Síndico que não quis se identificar
Quando aconteceu, todo mundo ficou com muito medo, medo mesmo. As pessoas do prédio achavam que tinha alguma coisa sim. Porque quase todo mundo já morava quando o prédio foi levado pro outro planeta, mas ninguém sentiu nada. Aí, na outra noite, a listra verde-meleca já estava no prédio, assim de repente, do nada, como mágica de mágico... e o menino; depois a gente soube que não foi nada disso não.

RPPS
Descobriram o que foi?

Síndico que não quis se identificar
Sim.

RPPS

O que?

Síndico que não quis se identificar

Não sei se pode falar aqui não.


RPPS

Pode sim, materemos total sigilo tanto para o senhor como para o menino.


Síndico que não quis se identificar
Ah sim! Ele acordou de noite com muita vontade de ir no banheiro. Quando entrou no banheiro, que estava escuro, sua avó já estava fazendo as coisas lá, sabe? O menino ficou doido, garrou o martelo e desceu de cueca mesmo. Ele quebrou umas coisas da portaria, já que o porteiro ficava trancado no quartinho dele de madrugada. O porteiro, Zé, tem um namorinho com a Dona Terezinha, mas ninguém pode saber, porque ela é casada com Seu Tomás... mesmo assim todo mundo já sabe. Ela é muito boa com Zé, leva almoço todo dia, docinhos, um monte de mimos...

RPPS
Obrigada Senhor síndico, o senhor ajudou muito mesmo. (o repórter foi embora perplexo e cheio de histórias para contar)


sábado, 19 de fevereiro de 2011

chá de Alice



olhar distante procurando uma coisa que não reconheciamos, tentava me comunicar falando alto, cutucando os braços, fazendo firulas, movimentos bruscos... mas os olhos não eram ele; o corpo de faquir, a pele ressequida, olhos sem brilho, apáticos, buscando brilho em um canto suspenso do quarto

segui a direção de sua visão quase infantil, não era nada, para mim, apenas um teto contornado por um cano verde de oxigênio e outro amarelo de ar comprimido, e mesmo assim parecia haver alguma coisa

imaginei que aquilo que tanto o entretia não vivia no canto suspenso do quarto, era coisa do de dentro; mergulho profundo no oceano de si mesmo, lugares antes nunca visitados, ignorados pela correria do dia-a-dia imperador, o tempo engolidor de corpos

labiríntico, o agora se faz agora

o marasmo medroso de reconhecer a criatura moradora daquela Casa que é sua... onde foi que perdeu o referencial de si mesmo? será que um dia soube por poucos segundos o que realmente foi? e pra quê?

a respiração ofegante inchando o peito pontiagudo por ossos cansados de tentar, o pulmão angustiado de saber que essa luta não é mais dele.... mas existe o outro, aquele que sofre, o carcereiro que deseja a permanência; a consciência então clama por ações do ator peregrino em terra árida, deserto imenso, monólogo sem pláteia

os aparelhos representam um humano demasiadamente humano, alheio à vã filosofia da vida, que se esvaindo assume proporções, conformações semelhantes para todas as criaturas do mundo... deixam de existir características singulares, quebram-se os paradigmas, há transgressão das regras e leis, uma nova perspectiva dos valores; todos somos um

sensação de formigamento, coceira como se milhões de insetos invisíveis caminhassem sobre a pele impunemente, a boca sempre aberta denunciando a respiração quase desesperada, não fosse o ritmo lento e desregrado

da janela, palmeiras imperiais gigantescas, robustas, agrediam com sua imponência de viver; sentia-me cada vez menor menor menor menorzinha
ínfima... achei ter bebido o líquido denso de Alice

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

olhar da lavoura arcaica


no jardim, as jasmins-manga exalavam um cheiro da infância que vivemos naquela casa. A festa reunia a todos; vizinhos, criados, primos distantes. A ciranda rodava para os dois lados, as pessoas não ficariam tontas com essa ciência milenar. Os músicos empolgados tocavam acordes embalados pelo corpo dançarino aquecido pelo instrumento. As mais velhas chegavam com travessas gigantescas, ostentando pratos coloridos dosados pelos mistérios de caldeirões enfumaçados, que os homens jamais poderiam chegar perto enquanto seu preparo. O patriarca sentava-se numa cadeira de vime real, estava sempre ereto e imponente, como se o tempo lhe pertencesse e nada pudesse lhe fazer de mal.
Ela rebentava no meio da roda de gente como fosse uma rosa que nasce da pedra, todos ficavam enlouquecidos com seu sopro de vida. Serpenteada e multiforme. Esfinge esperando ser decifrada, galgando nos passos da dança seu enorme misticismo... e eu, pés descalços, sentado a um canto, olhar arredio, roupas rotas e cabelos desdenhados, e eu... nada

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011



Os dois conversam muito intensamente, até demais.

O gordinho... gordinho não, gordo mesmo. Falava, gesticulava. Parecia uma galinha sem pescoço e ainda soltava uma fumaça pela grande boca enfurecida (oh! essa viagem foi boa). Fumava um cigarro meio charuto, vagabuuundoo, igual feito em casa. Os velhos, falavam alto alto alto, ai no meio da história falavam baixiiinho, depois ficavam quietos, e riam riam riam muito. O que seria tão engraçado?

O outro respondia ao fumante em monossílabos empolgados, abria o peito e. Fiquei um tempo vendo mesmo, não tinha nada pra fazer. E os dois estavam engraçados, o fumante gesticulava tão desesperado que imaginei um jogo na final, o time perdendo... de muito, ou ganhando, mas ganhando bem! E então como fosse um milagre, o outro despontou a falar, mas falava contido, do jeito dele, o ruim é que eu não escutava direito, muito baixo...

Foi então o fumante fez uma cara de susto, encheu o peito de ar, ficou gigantesco e pá.pá.pá!! O outro se apressou e soltou três tapas na altura do peito dele.

Ih!! Corri a rua para separar os velhos. Quase na briga, os dois perceberam minha corrida e eu é que me dei mal. Levantaram os braços e fizera uma barreira, na correria, não deu para parar... cai de cabeça, bati com a nuca, podia ter morrido. E os velhacos rindo, rindo rindo...

Vocês estavam brigando agora tão rindo, que porra é essa? Falei levantando. E é que perdi uns pelos da barriga. Olha aqui, parece depilação! Mostrou o fumante; estava sem camisa, avistei uma capoeira na floresta da barriga. E o outro ria ria ria, dizendo: Ramos, o cigarro dele é bauum... bauum merrmo! Riam riam riam deixando a rua, e eu me senti um imbecil. E ainda por cima, ter o mesmo nome. Fiquei com a maior cara de bunda, e ele percebeu que eu achei que era pra mim aquele baum baum merrmo!

Baum baum merrmo! Isso é engraçado! Vou falar pra galera, eles vão se amarrar. Tomara que pensem que é minha, eu que inventei... e os velhinhos muito doidos. Eu fumo e eles ficam doidões, será que daqui a uns 75 anos vou ser assim também? (rindo sozinho) tenho certeza que eles estavam chapados, é a festa dos vovôs... bauum bauum merrmo!!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

vida desperta


dizem que para descobrirmos que estamos sonhando precisamos apertar o interruptor, simples assim... se a luz tiver acabado? ou não reconhecermos os interruptores de nossas Casas? tudo não passaria de um sonho? é! preciso de um cigarro... e se minha vida for uma obra a ser criada? tenho a estranha e incomoda sensação de que estou deixando algo essencial para trás, confluência de forças, abstrações, uma aqui, outra ali... mas isso não é tormento, é existência.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Esperar faz-nos perceber qualquer coisa que passa distraidamente... estava ali, só por estar. Ouvi um ruído quase perto. Espiei um menino falando com uma gaiola. A simbiose: o menino e seu pássaro. Percebi, ao chegarem mais perto, que a gaiola estava vazia e mesmo assim ele dizia, falava impunemente a ancestral língua dos pássaros. Linguagem mágica e divina na fluidez do ar

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A água da chuva refresca pensamentos... experimente pluvioencorajar-se e pular para fora das marquises e toldos da vida... a energia que emanamos às moléculas chuvis entrega-lhes um poder sublime, renovando a magia de enxergar a poesia do corriqueiro, do que passa a todo momento, do que ali está...transbordando, cíclica, escorrendo.
Sonhei que estava num lugar com o céu todo colorido, de nuvens algodoadas densamente pinceladas por cores vibrantes aveludadas, lantejuoladas, estreladas, suspirantes, intrigantes... palavras engravidadas, milhares delas, pendiam das nuvens formando um desenho ainda mais intenso. O que diria aquela chuva?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

8 adormecido



Steichen Gulerff por Man Ray

submersa nas águas de uma banheira escura... caverna descontínua e remota. De repente, uma força misteriosa (explosão) embriaga-me de vontade de emergir e acordar dum sono profundo. Sonâmbula ainda... percebo. A força, de poesia plena, é o que me faz perpétua. Es tu. Belicoso ao meu lado

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

o trabalho em migalhas


Choveu como eu nunca tinha visto antes. O céu enegreceu num estalo, sinfonia única. A parede densa e molhada apontava para nossa direção. Roupas voavam do varal, árvores envergavam torturadas por gotas imensas e trovões, trovões iludiam o desabar do mundo... muito medo, um medo sórdido, catatônico, diferente, escorregadio de estranheza

Mudamos as coisas de um lugar para outro umas cem vezes, tudo encharcava ou molhava, sem jeito. Vivíamos um tempo insólito, não sabíamos há quanto tempo chovia, nem prevíamos quando pararia, se é que... a água evaporava indiferente a qualquer súplica, mantinha-se cíclica, impiedosa. Nuvens rebolando no céu em densos panos pretos acinzentados, talvez estivessem cansadas de serem nuvens simplesmente. Foi tudo tão rápido que durou uma eternidade; o rio, a transformação, a turgidez insolúvel das águas, a desilusão dos cantos perdidos... um mar de pernas pro ar... a única coisa que sabíamos era que devíamos segurar a estrutura da casa.

Na estiagem, a floresta assumiu um verde novo, reluzente, quase uma barbaridade. Os passarinhos cantavam assustados o milagre da vida. O canto de guerra, como se quisessem defender seus ninhos. Ninhos construídos pela paciência do operário que sai em busca de cada fiapinho, agregando-os um a um, em trabalho árduo, saborosamente sem fim, o trabalho em migalhas... Observávamos. Na ânsia de vê-lo terminar sua casa

terça-feira, 14 de dezembro de 2010


com mademoiselle Surucucu a noite era tre tremenda. No jantar pedia para a senhorita torta de amora com hortelã, suflê de de framboesa e strogonoff de chocolate. A sobremesa, algo doce como uva passa. Ela não queria engordar, se se vingaria se algo acontecesse. Dizia todas as vezes do mesmo jeito... compenetrada... à mesa, puxava um chanel n°5 e charmosíssima, tragava-o lenta e cheia de um calor que só as mulheres podem podem ter
O longo cigarro perdia seus cinco centímetros de vantagem... cena espectral... num deslumbramento daquele corpo moldado sem pressa, por mãos descansadas e escorpiônicas
Bebericavam Sorriam Sassaricavam, nem sempre nessa mesma ordem porque quando estavam juntos as coisas pareciam fazer sentido e mesmo que não conhececem de mística desde criança, seus olhos pareciam não lhes pertencer mais

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

a muda


toda vez que ela virava a esquina, assumia nova personalidade. Os seios apontavam para o norte, os quadros bamboleavam feito os de uma gata no cio. Ali, era outra, o chamamento de alguém que se perde nos abismos do EU. O marido, dono do estabelecimento, negão de dreads suculentos, guardava as forças nos cabelos de Sansão. E ela nunca os cortaria, não poderia sendo forasteira de si mesma, tendo que encontrar-se todos os dias em movimento circular.... mas ama a rotina, tanto, que disse ter um novo projeto para 2011: considero agora, amar uma árvore, amor por transcendência maior, sem precisar cavar buracos ou enxertar-lhe próteses ilustrando órgãos genitais... plantaria em terra fértil com a segurança de que vingaria para sempre e todo o sempre... minha

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

parada

Estavamos numa onda Karateca. Era todo dia samurai, huawgen, aikido, arigatô, saionará. Tinhamos olhos puxados, esbugalhados, mas éramos do rio, entende? Cariocas ignorados, tudo que nos restava era o Karatê. Se liga irmão linsei, em qualquer lugar é preciso o Karatê.

Se sou o cara? se tenho cara de mau?... e você conhece o bom? você é mau? Se liga bofe... se liga na pressão da situação do lance que se passa mas que não pode passar mais. Não pode ficar passando como se não tivesse passando, não é não? Porque enquanto tá passando, cê fica sentindo, cara! Eu sinto! Você! Aqui, coloca a mão, tô todo arrepiado! Puta que pariu mariola! Desculpa... tem nada a ver não... sou um homem de classe, uma fera de classe, requinte. O negócio é o seguinte... tá anotando?... Não é papel não, animal! Anota na mente, guarda na gaveta da mente, cara! Mas oh, cuidado para não perder nessa feira livre aí, viu?

A situação quando é passado... passou... e mais nada

Pensa... não é mais nosso... foi... さようなら... não precisamos mais pensar, saca? Foda-se cara! Isso é bom! uma coisa assim de... ui!

Mas se tá passando e passa e não para de passar e passa sempre, de Itaipu a Itu, Itu a Itaipu; vai no banco Itaú, sem dinheiro, sempre sem um tostão, rrrrrrrrrrr! Ai, tô ficando agitando, cheio de saliva vertiginosa! Quero ver se lá é tudo grande mesmo... ai, num aguento! Não quero mais que passe o que não quero que passe! Vá ignorar a vó! Mandar uma mulher ligar? Alô alô? Aquela voz forçada, vaca! Ai, meu lábio tá tremendo! Pau nu cú, xuxu!

Fala lá... conta tudo pra ela

Aquela bicha magoada! Nunca mais encosta a mão nesse corpinho!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

eu sei o que acontecerá em 21.02.2012

Um grupo de cientistas da Harvard Medical School descobriu essa semana, depois de dez anos ininterruptos de pesquisa, que escovar os dentes com o dedo é muitíssimo mais vantajoso que com cerdas.
Acreditava-se no século XX, que escovar com os dedos não fazia diferença nenhuma, só espalhava a pasta pelos dentes, o que na verdade até piorava a situação do escovante.
Em 10.10.2010, os investigadores descobriram nas digitais dos dedos, nanopartículas antibactericidas capazes de liquidar qualquer agente patológico bucal.
"Afora o estilo de vida e os fatores genéticos, existem evidências crescentes de que as infecções bacterianas possam ter participação na não escovação dedal", afirma o doutor Alilá Bighippie. E completa: " Vivemos num mundo muito corrido, super poluído, super populoso, super... nem sempre temos tempo para a higiene bucal. Agora, nossos problemas acabaram, poderemos dormir na casa de quem quisermos, sem medo, destino; despidos de qualquer prática necessariamente social" (O pesquisador termina a fala dando um pulo e gritando UHRRULL!!)
Infelizmente, para assombro da população domesticamente conceituada, essa notícia só poderá ser publicada em 21.02.2012, porque segundo especialistas, para a efetiva sustentabilidade do corpo-circular precisamos de palíndromos.
é o fim do mundo?






domingo, 24 de outubro de 2010

meu e mais de 100 mil vezes teu

ilustração: Daya Gibeli


Poesia, tens um fogo raro

mexestes com o meu ego

esse monstro louco interior

fez ir para fora

grande parte desse todo algum mistério

teu corpo

fico assanhado depois me deparo

que tua boa

tua força, ó, poesia,

é bem maior.

Fico até meio sem jeito, constrangido, sei lá,

parece até que vou me apaixonar

e a fundo longe desse olhar reflito

vejo o ontem taao passado quanto o amanha que nunca vem

esse teu fogo, poesia,

sera sempre bem vindo ao mundo meu

por mais que seja fraco

esse dragao é um estilhaco

e sua guerra fez do ontem seu

um desejo eternizado

de ver todo o mundo pirar,

bunda santa,

cortejar todo o meu sem jeito sorriso

entregar-te manobras mortas

mesmo que seja o ato de ser mal compreendido

quero gozar no mundo seu pois esse mesquinho meu, eu,

pode ser mais um tormento a sua cabeceira

pode viajar em mim

lamento

nao fui tao santo assim

seu corpo pintado, desejado

demito-me poetaao lado teu

quis te comer na rua

deitei-me ao teu lado

e nu estavamos

delicia sentir o teu som e

o teu sorriso

o sono respirar, mas que profano sou

queiram as estrelas

fazer esse teu corpo de novo me atacar

e que da proxima vez seja para definitivamente pirar

fiquei pirado com os teus olhos me encarando

o idiota rebolando no dedo teu

mas que merda foi que aconteceu

sua vagina solta em minha boca

deliciosa e adorei as palavras concentradas no seu ventre, poesia, poesia

diz pra mim que nada se perdeu e ainda poderei gozar no mundo teu!

A maça que aquele principe tua obra decifrou

creio que nao é nada perto dessa tua bunda, do teu beijo

seu mel, assassina quase mel..

meus olhos gozaram-te princesa

melastes o momento que era para me levar ao sono

e teu som

é meu desejo agora

de que jeito?

do jeito que voce quiser

pode ignorar o meu olhar sempre assediado pelo teu

pode nas ruas querer somar a parte

sei que em nada agente deu

vai dá pra dar?

denovo vou te encontrar, querer te devorar

te chupar, teabraçar, te comer

te desejar o infito verbo

num ataque epilético talvez

no inexplicavel fogo que adotará a poesia

frase feita vai ser o cheiro do meu gozo, do nosso, do teu

sua autoria, poesia,

minha estrutura no umbigo teu queimando

o cheiro e nada meu, nada meu

todo teu até enjoar

aparte das migalhas que te peço

beijo teu, fogo teu, corpo teu

de aluguel

a poesia, aa poesia,

gozo ofusco

meu ou teu,

tanto faz e tanto vai

e vem

quero mais de 100 mil vezes

ter esse sexo, amor, calor, desejo,

o sabor

mais chocante e mágico e vermelho de todos

mel mel mel.



sugestão de sincronismos: Astúrias de Isaac Albéniz

Direitos autorais: esse texto não é meu!! Não coloque palavriados na minha boca... Foi jogado numa lixeira e reciclado para gozar literalmente a vida

.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

velha luta da cidade

muito cansada... entrou no ônibus arrastada por brisa mórbida e sutil. Algo de lento acontecia com seu metabolismo. Era a síndrome do dia-a-dia, hora-após-hora, corre-corre-desenfreado-dasruas; tudo junto num mesmo vendaval de robóticos homens. Ela girou a catraca cheia de esperanças de chegar
O ônibus lotadíssimo. Pessoas grudentas, mareadas. Vai e vem de corpos involuntários. Ao ultrapassar barreiras intransponíveis de carne fresca, subitamente estava diante de uma miragem, verdadeiro oásis iluminado pela amarelada luz de ônibus. Dois acentos brotaram à sua frente nitidamente sky blue. Glória! Ela desconfiou. Olhou de sombrancelhas arqueadas para todos em volta, por quê? Por que isso aconteceria justo com ela? Ela, que as coisas demoram tanto para acontecer? Nunca teve sorte em nada, nunca ganhou um brinde de dia das crianças na escola, nem sequer um bingo ou biribinha na casa da avó.

Mas é hoje!!! Hoje era seu dia, fora sorteada na roleta da vida. Os bancos eram dela, quis deitar, gritar, espernear, jogar-se desesperada de desejo, vontade, necessidade. Mas não, calma! você só precisa manter a calma garotinha. Não perca de vista a efemeridade das coisas. Sentou-se grosseiramente e pôde continuar a viagem na maior tranquilidade. As pernas enrijecidas pela fadiga agradeceram e foram sorridentes até em casa para amanhã sonhar novamente vencer alguma coisa.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Ela gostava deles, dos dois, ao mesmo tempo, no mesmo lugar, contra qualquer oceano obscuro ou sorriso alheio. As brigas não eram muitas, mas a aceitação
Ao mundo soavam três; três almas inconstantes, unidas por extremidade tripartida e ambígua.
Ela encontrava qualquer coisa de tri-Uno, onipotente de sua criação devota. A felicidade sugava-lhe como inseto esquisito, saltimbanco, emitindo sons inespecíficos... Tudo isso para abafar os sussurros, gritos incontidos, agressões de desconhecidos inconformados, as ruas cheias de malícia feições estrangulantes o medo de existir a ausência de coragem escarros cigarros tudos

Eles não!

Nasceram assim e vivem, de todo jeito, desprovidos de objeção, entusiasmados pelo vento, paixão. A vida tem outro olhar, múltiplo, criativo, indefinido, quase infantil. VIVEM!

Ela pensa, descontínua, insone, auroras vão e vem, nada... nem um motivo; por que não?
De outros tempos, amores brutos, patéticos, insalubres por sentença apedrejante
A revolução: olhava-se no espelho, mirava um rosto desconhecido e azulado, derretido, mas nada patológico; fluído, envolvente de calor e ódio. O medo de ser observada, apontada por dedos cruéis e previsíveis em sua pseudo-magnanimidade, desgraçados!.. vidas em preto-e-branco
Ela caminhava carregando na mochila o desejo de não estar sozinha, atraída por átomos redesenhados, carícias apaixonadas, confusão de mãos, ménage ad aeternum...

Eles nasceram unidos pelas costas, tinham tudo em comum, inclusive a decisão de não se separar jamais! verdadeira singularidade bifurcada, harmônica e sorridente. Sua sina era amar loucamente aquela mulher, aquela mulher cética, muitas vezes venosa e doce, pueril, deitada à sombra de não saber amar com ânsias, torcicolosamente febril
Sim! Era ela
o único desgaste, o inseto corrosivo e impune dos gêmeos, o demônio da luxúria, a serpente que devora-os subitamente quando vão beija-la...
e querem, mesmo assim a querem, do mesmo jeito que nunca quiseram separar seus corpos tomados pela lei da assimetria.
Não é perfeição
é cópula.


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

sonhos brumos

VAI VER ESSE FILME DE NOVO?
AHHH! VAI DORMIR...

Ela tentava, mas aqueles pequenos sons não saiam da sua cabeça, como formigas que alimentam um formigueiro. As imagens eram tão reais, que lhe davam espasmos pelo corpo. "Eu tento dormir, eu juro que tento, já tentei muito, tanto, que as vezes durmo pelo cansaço... o corpo dói tanto... parece tombo de bicicleta ou aula de natação no inverno."
As sensações eram parecidas, uma de fora para dentro e a outra de dentro para fora. Um dia, vários insetos voavam em volta da lâmpada, como sempre em muitos dias acontece, mas naquele dia, naquele único dia, aquilo começou a dar uma raiva, uma ânsia... Levantou da cadeira, sentiu a presença da irmã no último quarto. Quando olhou para o fim do corredor ficou estarrecida. Pôde ver somente uma cabeça flutuante e esfumaçada...
Irmã? O que aconteceu com você?
Eu não sei. Só dá para ver minha cabeça, não é?
É sim!
Engraçado, de uns tempos pra cá, tenho sentido só ela mesmo, pesada e enorme.
Mas você está bem?
Não muito. Um pouco aérea.
Estou vendo! (olhos esbugalhados)
Está muito na cara?
Na cabeça... é... vamos dar um jeito.
Na conversa, as pernas da pequena tremiam feito duas varas verdes em tempestade. Foi então que a irmã deu um passo a frente, e ela pode ver seu corpo inteiro, inteirinho de preto, dos pés ao pescoço, até luvas e sapatos pretos, parecia esperar um ritual mórbido.
AHH! Que alívio. Achei que fosse um daqueles sonhos que tenho, mas não é.
O que?
Nada de mais... só uma viagem da minha cabeça. (uma lágrima molhando a gola)

domingo, 3 de outubro de 2010

vai que é tua...

V. das Moças... deviam ser umas 03:03 e tudo girava em círculos. Pessoas em dia de eleição, escolhendo números como quem escolhe a pasta de dente mais barata da prateleira, com receio, mas convicção no sorriso. O trocador reclamava aos trancos e barrancos da estrada, "puta que pariu não fui liberado que país é esse!!! bláblábleble", um negão doidão com seu violão cantado causos de ancestrais próximos, uma mocinha de iPod da Apple e um cego mascando chiclete... "se fosse poeta escreveria... se fosse pintor pintaria... mas como sou eu, fico só observando" (filósofo: tocador de violão, que por sinal se chamava Dido).

domingo, 15 de agosto de 2010

folhinha de veludo roxo

mas não tive culpaaa!
não quero saber. Onde já se viu rabiscar o muro do prédio com um monte de folhas? Seu Jeremias trouxe o balde. Tem uma bucha aí?
Sim senhora, disse o porteiro.
Então entregue a bucha a ela, ela vai limpar tudinho...
Não vou não! Diz pra ela seu Jeremias, o senhor viu que eu não fiz sozinha... eu nem sabia que essa folhinha de veludo roxo pichava muros...
Aiii! A velha puxou minha orelha igual a geleca puxa-puxa.
Não tive escolha, fiquei esfregando aquele muro cheio de corações, nomes, bundas e pirus. Aqueles garotos imbecis, sem-vergonhas, todos saíram correndo, muito espertos, até a Cadinha me deixou.
Descobri o quanto ele era enorme, quilômetros e quilômetros da pior vergonha da minha vida. Enquanto esfregava a bucha triste percebi que minha avó se juntava a mim. Senti um gosto bom na boca.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

nano sinfônia

a vida às vezes cai como um piano sobre minha cabeça (by Biza Madruga)
cruzess, que horror
você acha isso mórbido?
pois é claro!
ah é!? então me diz quantas pessoas você conhece que morreram de piano na cabeça?
traga-me um levantamento eficaz de pianos homicidas... e podem ser suicidas também, no mundo das grandes janelas, nunca se sabe.

parascavedecatriafobia



por que fez isso?

porque prometi a ele

como assim? você prometeu a você mesma

eu sei. mas disse a ele que só ficaríamos de novo numa noite de sexta-feira treze.

tem várias, isso é desculpa

tinha que acontecer uma coisa bizarra

e aconteceu?

sim

o que?

eu não lembro, só sinto

domingo, 1 de agosto de 2010

Miltinho Cabeçudo


Miltinho Cabeçudo, Zé a Jato, Criolo, Neném e Romualdo são sambistas, fazem sempre shows na escadaria Selarón. É sempre um sucesso, ficam várias pessoas espalhadas pelos degraus da escadaria, ambulantes vendendo bebidas e crianças correndo. Os músicos vestem terno de linho branco sem camisa e cartola branca, figurino usado diariamente por Miltinho Cabeçudo.
Os malandros da Lapa sempre se reuniam para fumar um na escadaria. "Malandro que é malandro não dá mole pra ninguém!" "Malandro é o gato que já nasceu de bigode!" Não é fácil ser malandro, tem-se uma reputação a zelar...
Miltinho Cabeçudo, de terno branco sem camisa e cartola branca, estava em pé contando uma história a Zé a Jato, Criolo, Neném e Romualdo sentados na escada prestando atenção enquanto rodavam um cigarro de maconha. Todos entorpecidos, rindo até da sombra.
"Não é fácil ser malandro!" Miltinho Cabeçudo sabia muito bem disso, até porque sua cabeça de cima era bem pequena e a razão do apelido, ninguém sabia mesmo ao certo. Ostentava um enorme sorriso de laçarote, os dentes brancos não-humanos do negão tiziu prediziam sua fama.
Um dia estava chapadão, viajando numa relax... numa tranquila... numa boa. Quis comprar um salgado no bar do argentino bola-rasteira. Colocou a mão na barriga e começou a descer os degraus. Romualdo perguntou: "ôôÔÔôôô... tu vai onde? Miltinho rodou nos calcanhares e mandou um beijo ao responder: "Vou pro beleleu!" (gargalhando). Finalmente se desvencilhou da rapaziada e do ritual diário. Caminhando acenou para todos na rua. Passou por bêbados, crianças jogando bolas, evangélicos, prostitutas, a tia baiana do acarajé, hippies sentados sob os arcos, cruzou toda a fauna marginal da Lapa. No fim da rua, quase em frente ao bar do argentino, Manaka, um mendigo negro de dread até o joelho e olho amarelo, apontou para Miltinho Cabeçudo, que assustado cruzou os braços como se quisesse manter o corpo fechado.

Chegou ao bar, um bar bastante antigo, com azulejos coloridos e mesas de ferro. Miltinho entra tonto e cambaleante. Os ruídos do bar ficam muito altos. Ele anda como um bêbado e por cada mesa que passa, ouve nitidamente a conversa das pessoas sentadas. Na primeira mesa, três velhos conversam.

HILDEBRANDO
Quer dizer que acredita em algo que nunca foi criado? Essencial?

BENEDITO
Por que não? Para você tudo se explica com Adão e Eva, o imbecil? E a adaptação? E os branquelos, amarelos, negros azuis, avermelhados? E os albinos da Antártica?

JOÃO (GARGALHANDO)
O quê? Os albinos vivem em iglus? Se mata seu velho de merda!

Na segunda mesa, dois casais conversam.

LIA
Ela adorava flertar com a morte! Ela adorava flertar com a morte!

RODRIGO
Dizem que falava sozinha e levava um cachorro invisível para passear.

CAIO
Coitada... será que matou o cachorro também?

MARI
Não! Eu soube de uma amiga plantonista que certa vez ela foi parar no hospital com o cachorro agarrado na buceta.

LIA
AH! Merecia morrer mesmo!

Na última mesa, seis homens conversam.

FERREIRA
Gostosa pra caralho, maluco!

FRANCISCO
Agora que comeu é gostosa? Haha caô!

Os homens zombam de Ferreira.

FERREIRA
Qual é o cambada? Assim com esse ciúme de vocês de mim, eu fico pra morre!

CORO DOS HOMENS
PRA MORRE! PRA MORRE!

No balcão, Miltinho olha para dois homens bêbados que estão apoiados. Atrás do balcão está o dono, um argentino ensebado, que fala coisas ininteligíveis aos bêbados. Miltinho bate no balcão ainda vertiginoso. "Ai ôôôôô... fela... me dá um... me dá um... me dá um... crocrete de carne" Um dos bêbados retrocou: " Crocrete de carne... ? Crocrete de carne... ? O negócio baum é coxinha de galinha, de galinha uh! mérmão... crocrete de carne é coisa de viadinho."
Miltinho não responde e morde o lábios, pega o croquete da mão do argentino que está atrás do balcão e o enfia inteiro na boca. Começa a falar cuspindo na cara do bêbado, que nem se abala, até acha graça. Comeu o salgado em duas mordidas ou menos.
Na hora de puxar o dinheiro, não conseguia se entender com o bolso da bermuda jeans esgarçada "Porra mérmão! Caralhooo!" Em meio a luta bermudística discutia consigo mesmo. Se contorcendo como se dançasse uma dança esquisita extremamente vanguardista. Risos brotam ao fundo.
Finalmente conseguiu, pagou e limpou a boca num só movimento, tudo isso para mostrar serviço.
Percebeu um monte de vagabundo se escangalhando de rir, "essa cambada tá rindo de mim?" quando olhou para o guardanapo que segurava, viu uma nota de dois reais toda engordurada, "puta ne merda!" E o argentino bola-rasteira reclamando com o guardanapo na mão, "no puede pagar con la servilleta, boludo". Cabeçudo puxou o canivete e meteu no pescoço do maluco "tu tá doidão de linguiça, mérmão?" Explosão de pernas cabeças sapatos azulejos garrafas e cadeiras... não dava para entender direito quem era o que. Miltinho some na confusão.
Da porta do bar, mulheres saem gritando e dois velhos agachados. Miltinho aparece na porta cambaleando e caminha até o mendigo de olhos amarelos que está do outro lado da rua. Cai de bruços aos pés do mendigo com um osso de galinha cravado nas costas.
Zé a Jato, Crioulo, Neném e Romualdo continuam fazendo seus shows e nesse, em especial, homenageiam Miltinho Cabeçudo, malandro dos malandros, cara foda pra caralho. Zé a Jato conta a morte fatídica de Cabeçudo para a platéia. Uma voz rebenta do meio da multidão: " Cê nem tava lá, como tu sabe dessas paradas toda ai?" E Zé a Jato responde: "Manaka tava. Ele é o sábio mendigo negro, o cara vê tudo. Ele foi salva a alma do camarada. Ajudou o irmão a fazê o caminho pro mundo regado. Não é não?" A banda e a maioria da platéia concordam. Ouve-se num crescente uma gargalhada estridentemente assustadora. Todos olham acompanhados por uma brisa estranha... é Manaka sentado no seu canto.


Miltinho Cabeçudo era malandro de chapéu
Andava pela Lapa
Agora foi pro beleleu
Ele foi pro beleleu, ele foi pro beleleu

Não sabe brinca não brinca
Agora foi pro beleleu
Ele foi pro beleleu, ele foi pro beleleu

pagou com guardanapo
limpou a boca com os merreu
tava doidão de memel
Agora foi pro beleleu
Ele foi pro beleleu, ele foi pro beleleu

Não sabe brinca não brinca
Agora foi pro beleleu
Ele foi pro beleleu, ele foi pro beleleu
(sambinha em homenagem a Cabeçudo)



quarta-feira, 28 de julho de 2010

na rua de azulejos azuis ela ouvia história de todo o tipo. qualquer coisa de cítara soava naquela cidade esquecida pelo vento, que parou de soprar desde quando éramos crianças sadias e sabidas da pureza do mundo. depois não mais podíamos chamar o vento, já havíamos esquecido dessa pureza. descobrimos que mulheres nem sempre querem ter seus filhos, e nesses casos, os maridos muitas vezes precisam recorrer aos deuses que conhecem, fé que passeia pelos caminhos ou pelos atalhos tirando-lhes o chapéu empalhado. a cara de natureza morta, um soar de malmequer.
mas há sempre coisas atrás de mim, um caminho a abrir-se por música longínqua, algo de prenúncio, vigília...
a música me toca profundamente, lembro-me de pescadores capazes de encontrar harmoniosos tesouros em barrigas de peixes abissais. isto sem nenhum esforço, simplesmente cantarolando a alegria de viver e de puxar a fluida linha.
só não sei... quando a lua cheia bate na relva iluminando precariamente minh'alma, se antes ou depois do começo, perdi a noção do beijo. sentimentalidade de encruzilhada, ninguém cantou e o bilhete engarrafado se vai.
o sapo morreu azulado

domingo, 18 de julho de 2010

As casas dos moradores do morro nas usinas da baixada formam uma canoa. Água cristalina. Olha só! Olhou perdido e avistou uma neblina inacabada e cinza. Preste atenção! com os olhos esbugalhados. Tome isso! Guarde, carregue você. Mas já levava as mãos ofegantes até a boca. Ressoava um som esquisito que vinha distante. Ele fazia mímica comendo aquela pedrinha amarelo-reluzente. "Pedaço de sol" repetia pacificamente nervoso.
Aonde estamos?
Estamos na centésima quinquagésima palavra da nova frase de um espaço lá atrás.
Não! Que lugar é esse, Gráfico? Apontava para a terra.
Há muito tempo.... na época dos avós de nossos avós, isto se chamava Guanabara - começou a ter uma visão em película de filme cego, surdo e mudo - o Zeppelin estava perdendo a força, já meio murcho começava a perder altitude. Me dei conta que o vento soprava enfurecido, uma tonteira, tudo girava, girava, rodopiava... só tinha nas mãos uma cordinha bem fininha, quase transparente, unica garantia de ver o sol reacordar.
Fui sugado por um buraco negro imenso profundo pra lá de além do alto-mar.
Tudo branco, sem começo, meio ou fim, como se a terra fizesse parte de um experimento inacabado. Andei pensando que estava cego, tentando sentir alguma forma tátil. E foi no meio do caminho, no chão fofo de areia, vi aquela árvore de bolas verdinhas e pontos coloridos, tudo isso numa imensidão desértica.

domingo, 4 de julho de 2010

Psiquê de Eva


Eva?
não viste a cobra que segurava a maça?

não! a mordida foi no escuro

quarta-feira, 9 de junho de 2010

é tempo de latas falantes

Assolavam a comunidade. As latas de cerveja brotavam do nada em qualquer isopor de praça e falavam coisas, muitas delas indizíveis a olho nu. Pessoas foram prejudicadas, muitas pessoas foram prejudicadas... maridos que chegavam de madrugada com intuito de não fazer barulho, aqueles que acreditam já ouvir vozes “será que estou ficando louco?”, ou os muito bêbados, os distraídos, as neuróticas, enfezados, carentes, os astronautas, os transeuntes, gays, loucas, estudantes,.... tudo, tudo era assim com aquelas latas soltas por ai, por perto, e mãos atadas. O que diriam? Será?
Diriam, ou nunca terei a chance... de saber... o que 

quarta-feira, 26 de maio de 2010

duas rodas certeiras em chão rachado por amor que já passou
relaxo em posição descansada
não vá se perder no círculo do amante, ele gira em falso muitas vezes
desatando laços ora de concreto ora de geléia, mas sempre realidades.

domingo, 9 de maio de 2010

se estiver enrolando a língua... não liga não
a vida é assim mesmo,
ela às vezes enrola nossa lugnía
é estranho pensar na vida como ela é... porque ela nunca é, sempre já foi ou vai ser

tem dia que é melhor esquecer do corpo e viver feito fumacinha

sábado, 24 de abril de 2010

proibido fazer por ai o que gostaria que fizessem com você

hoje... decifro o código de alguém que faz um gesto sem saber e de outro que o faz para dizer que pode... sujeita a um ronrronar de horas

olhei para o muro e vi a ponta de brasa acesa, foguinho cortado em v pela areca bambu, a imponência da palmeira e o mato do terreno baldio de trás atrapalhavam a visão. Mas tinha alguém, tenho certeza! como naquele dia em que lavava o carro de calcinha e camiseta
...talvez quisesse ser vista, tive uma sensação tão real que cheguei a sentir o toque, o toque de olhos estremecidos. A camiseta branca encarava feroz os convulsivos e orbitais olhos.
No chuveiro não, estavam calmos e calculistas, ostentavam até um cigarro como prova do poder que exerciam sobre mim. Sobre o corpo já sem os seios dourados.
Os olhos tudo vêem!
Um vulto, êxtase, estupor.
Perco a definição de mim mesma, a língua afaga os lábios superiores, a pupila dilata prenúncio da dúvida, será que estão lá? o cigarro? a respiração ofegante? os olhos vidrados? a sombra das folhas dançando na parede branca e o vento ameno, quase maternal, se não fosse pela dúvida. está lá? não posso olhar diretamente, se perceber vai embora, juro que vai, eu iria no lugar dele.

Ela queria, ela precisava. Resolveu tomar banho no quintal por raiva masoquista. O fluxo de água impiedoso congelava cada músculo inerte e esquecido pelo tempo. A Lua cheia inteira para ela, só para ela, que contemplava a luxúria de ser mulher e por isso poder gozar com a lua. O ritual representava o chamamento do amor... passou a acender velas, climatizar o ambiente, dia após dia, tudo para a deusa Lua. Vênus, banho encantado, o ritual.
E os olhos a esperavam cheios de desejo, vontade, necessidade...

Tinha certeza agora... depois do processo.
"Isso é rídiculo! Como aquela vaca pôde me processar se um tarado ficava me olhando tomar banho no quintal?" disse ao cara do fórum.
O julgamento seria daqui a uma semana.
Intimação extremante formal. Lá, estariam a promotoria, defesa e duas testemunhas, mas daonde? quem eram os cretinos? numa salinha 2 por 2 cheia de canalhas e canalhices. Que chacota, meu deus! ter que confessar que tomava banho pelada no quintal e sabia que o tarado do vizinho ficava olhando, oh! nossaaaa! isso vai é
Bando de imbecíl, será que uma mulher sozinha não pode se sentir desejada por ela mesma e resolver fazer sexo tântrico com a Lua no quintal? Isso não é pedir muito, não é!? Pedir muito é querer um homem para tirar o lixo para mim, conversar com o faz-tudo, eletricista, gerente de banco, contas, limpar o ralo, a caixa de gordura, abrir compota... isso sim me faria rir vertiginosamente. Ah, que maravilha! Mas eu me basto. OUVIU BEM SUA CORNA MANSA?...mesquinha... vai passar a maior vergonha só para tentar mexer no meu bolso, é uma filha da puta!
Queria ver se fosse você, ter que tirar aquele lixo enorme mal embalado num saco vagabundo, cheio de chorume, uma nojeira. E as unhas incrustadas por uma sujeita preta indomável.
Aqueles olhos eram meus, eles me pertenciam, vinham de qualquer lugar, não sabia daonde; mesmo sabendo, mesmo podendo acusá-los, castigá-los, eu os amava, nunca o faria.

na sensual lavada de carro... foi um máximo! os quadris embalados por música hilstiana, em transe, sem dúvida... a camisetinha, a calcinha biquíni, porque era biquíni, mas parecia muito uma calcinha porque de pano. Alongamentos apaixonados mostavam as pernas torneadas de uma vida.
ah! não vou não. Poderia me apaixonar pela haste da palmeira que implacável me masturbaria sem perguntar por que, amor é isso, é lavar o carro de calcinha para alguém, se perder de tesão no quintal tomando banho na lua cheia, é querer fazer um ritual do amor, não fazer e depois feito mágica descobrir que já o fez sem desconfiar como, simplemente o fez, o melhor.

...amanhã vou voar para Los Angeles de rolls royce pratiado.



sábado, 10 de abril de 2010

No banquinho do velho, a espera é um pranto que se come frio. A espera desespera*. O desespero é a falta de esperança, a falta de de certeza de saber que um dia chega
*A desespera é o feminino do desespero na praça em que os homens já nascem velhos.