sábado, 24 de abril de 2010
proibido fazer por ai o que gostaria que fizessem com você
sábado, 10 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
águas de março em abril ou Niterói trágica
não sou não, né?
não! você sabe que não é. você é muito indecisa, não consegue nem escolher um salgado pra comer na padaria. alguma coisa aconteu que você não quer falar
tipo alguém morreu ou virou extraterrestre?
não cara! mas tenho certeza que alguma coisa aconteceu. acha que eu nasci ontem?
o que você acha que aconteceu? eu não quero mais... só isso
e eu igual a um idiota pensando em você, preocupado, querendo te ligar, saber, pensava caralho! a casa dela deve tá alagada, em baixo d'água. acho que vou lá, mas pra quê? não deve dar pra passar... tudo inundado
eu também tava preocupada com você, esse riozinho ai que desce do morro devia tá igual uma cachoeira, não entrou água na janela não?
ficou igual a uma cachoeira mesmo, fortão. não entrou água não. e se a casa desabasse, eu não ia nem ligar, só ia ficar triste com meus instrumentos mesmo
ah que ótimo! egoísta que você é
não, eu tô na lei da sobrevivência mesmo, só queria alguém pra ficar, eu tô na merda e vc tá me deixando. não é leal comigo
eu sou leal com vovê, você que não é leal comigo
e por que não? eu tô com você...
ser leal não é só estar junto
é o que? abandonar na pior hora?
também não, mas é estar completo, sem remorsos. se daquela vez que fui pra Cotijuba você tivesse me perdoado, tudo seria diferente
não perdoo mesmo, isso não se faz com ninguém
é? então por que quis ficar então, pra me machucar?
não! porque eu gosto de você
mas depois daquilo você virou outra pessoa...
alôi?
minha mãe já chegou em casa?
não por quê?
porque ela já saiu daqui tem uns quinze minutos e tá tendo arrastão lá no Império da Banha.
jura? e você foi pra onde?
pra Avenida Central, pra casa do meu namorado
PORRA!! o que você foi fazer ai? e mamãe?
calma! fiz as contas, passaram quinze minutos que ela saiu daqui
é! mas faz muito tempo que vocês sairam daqui...
mas ela acabou de sair daqui, tipo agora
poraaa! mas quem te falou do arrastão?
Deoflano
mas ele sofreu o arrastão ou teve um arrastão 6h da manhã?
não sei! vou ligar pra ele
o que houve? minha mãe ainda não chegou da rua.
ah! e mas isso. seus pais nunca me aceitaram. você não tem nossão do que é perder a dignidade por um olhar atravessado
ah quer saber?... cala a sua boca!
vou mesmo, mas depois vou buscar minha ampulheta e meu guarda sol
mas já está chovendo há 2 anos imbecil!
foda-se imbecil! por isso mesmo vou pegar minhas coisas... pela chuva e porque não posso mais perder tempo.
hello?
mamãe já chegou?
não por quê?
quarta-feira, 31 de março de 2010
primeiro e último movimento da cantata de amor
terça-feira, 30 de março de 2010
Cabum, o Gigante
Certa vez, no bar Rainha da Pipoca, Cabum - como era conhecido - resolveu sentar-se pela primeira vez fora de casa. Puxou duas cadeiras de ferro, dessas comuns nos botecos da vida. Arqueando calmamente as pernas inibidas pela incerteza, num súbito instante, transformou as cadeiras em duas folhas de papel metálico. Não pôde aguentar o próprio peso. O dono do bar agarrou numa barra de ferro e xingou o gigante com o máximo de nomes feios possíveis de se pronunciar em poucos minutos. Cabum derramou-se em pranto. Nadando em soluços e mucosas, respirou fundo e com todo delírio angustiado que borbulhava de seu estômago, gritou gaguejando: "MUMULHERRZINHA!" O estrondo foi tamanho que o pobre comerciante se mijou todinho, passando a maior vergonha aceitável para um valentão de vida vazia. A história perpetuou-se; virou lenda e ganhou infinitas versões. Chegaram até a dizer que ele amassou as cadeiras com pisões bem dados. Intrigueiros à parte, o grandão era um poço de tranquilidade, imbuído pela filosofia da paz. O auge de agressividade mais profundamente atrelado à suas entranhas, vísceras pungentes, sempre fora dizer: "mulherzinha". Mesmo assim, só expurgou a raiva duas vezes. Esse episódio no Rainha da Pipoca, foi uma delas.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
C.A.
Ela não tinha nome, mesmo que tivesse não o encontraria em lugar nenhum
em um obituário, quem sabe?
pessoas fazem isso, criam para si novas identidades antes inexatas, vagas, agora cheias de estórias contadas por elas mesmas crentes na fugacidade dos tempos. contemplam uma imagem efêmera uma paisagem uma revista rostos transeuntes, tudo isso contado pela vida, aí, inventam para si um universo de coisas grandiosas, de perto, coisas de longe ouvidas transmitidas, sentidas, criações anedóticas... porque a memória é assim, trabalha contra nós, mas também tende a nosso favor, não sempre, às vezes.
lembro-me daquela cara de anjo... um gosto de céu atravessando a madrugada com a gentileza do toque quase em câmera lenta (percepções vibráteis de um fluxo de brisa etérea ) como infinitas ninfas desnudas entoando cânticos pagãos subliminares
poética? Não
era fria, dizia francamente e a face cheia de traços desordenados. machucava por gosto de agredir-se a si mesma. não sei se mulher ou menina, estranhamente ficava em dúvida mas era esperta, tinha um quê só dela, um tempero romã de mais ninguém.
peste capaz de transformar-se em santo demônio
possuído o corpo inerte esquece sua materialidade (herança perdida e ancestral), tentara em vão criar pernas, melhor fossem asas. eu nada seria. erraria perdido em nuvens rosadas destituídas de espaço em branco vazio. colorido por explosões de espasmos ora azuis, ora roxo-acobreados, abrindo cascatas enormes fantásticas e ao fim de cada cor o céu dourado brilhante - mina inexplorada quente e úmida
não era má, ao contrário, sempre educada e gentil. tinha sua fortaleza de fato, mas quem não tem? usava chapéus enormemente intrigantes e ficava bem interessante com eles, lhe frutavam certo mistério – uma noviça rebelde
não sei exatamente. disse que era dançarina... desconfiava que fosse stripper. isso não era problema para mim.
...Ah!... Que corpo ! fui cego, e quem se importa? que tornozelos, o trapézio magnífico; dignos de uma atleta
que cara é? estranho? Os homens apreciam a bunda – cerejas ardentes , os seios perfeitos e bussolares,... e daí? todas as mulheres têm essa proeza, bem... pelo menos em partes, ...mas aquele tornozelo torneado por horas a fio pisando em ovos, flutuando, enrijecendo as canelas. É sim! ela dizia ser ótimo para isso. o trapézio - uma delicia só dela, especiaria em paraíso desconhecido lambida desenfreadamente por desejo difícil de explicar, talvez insaciável
Não me deixou!
Espere... (faço cara de coitado, os fãs adoram ver o ídolo sofrer)
É!
não seria tão depreciativa. vivíamos bem,... ou até quase muito bem, fazia tudo por ela, não cobrava, nem esperava, sempre dormia, saia por ai andando em caminhos incertos, nunca a encontrei, não assim, não na devassidão penetrante da madrugada
solitária, precisou ir embora
minha nossa! de maneira completamente escabrosa tornou-se celibatária. Preste bem atenção! não fazia mais sexo, porra! não transava, nem se masturbava; Meu Deus, tudo que aquela mulher amava fazer, era sua vida, necessidade para além da simples existência...
aquela vaca! Gostosa! ficou assexuada da noite pro dia, eu?
continuei idolatrando qualquer mulher de tornozelos ou trapézio bem colocados, tive que me contentar com pouco, nunca mais encontrei ossada como aquela. passava horas contemplando o nada, eu e o nada, de repente lembrava de detalhes impressionantes e assim montava meu quebra-cabeça
fiz dela uma musa, protagonista da minha obra-prima, um romance que tinha tudo: morte, disputa, gula, desespero, mistério, e claro, ilusões, muitas, como em toda boa história de amor verdadeira...
um best seller que nunca saiu do manuscrito, por que? talvez não terminei o livro com a verdade realmente verdadeira
ouvi dizer, mas isso foi bem depois, que ela converteu um doutor em filosofia, um rapazote qualquer cheio de fórmulas prontas extraídas de livros inúteis de bolso. rezam no mesmo convento, sabe-se lá em qual lugar do mundo, quem dirá em que posição, ou se existiu deveras (adoro essa palavra, será um bom desfecho)
agora penso em reescrever o final, é, o público sempre tem razão, é a voz da razão, e nós artistas, da insânia, da vida depravada e infantil, tudo ao mesmo tempo em doses homeopáticas. de que me adianta essas linhas se não forem lidas? talvez um dia até Fraülein (posso chamá-la assim para atiçar os homens) possa folhear com a ponta do alongado indicador essa entrevista em alguma revista ou periódico da religião que acredita
um dia...
Roteiro fictício da entrevista de Clemens Agustus sobre seu livro “cabelos embolam na nuca”
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
casa de cera
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Paródia da sonata de Paganini.
O homem é picado
por aranha ele é picado
Paralisado então!
no tempo acelerado
de seres espaciais
Abduzido... ele foi
Peçonhento é o veneno (2x)
Todo mundo nu
pintando o corpo inteiro
com lápis de olho azul
feito um ritual!
Pensando acreditar que ele era
um ser espacial...
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
confusão de olhos
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
ônibus: nada para fazer o lance é pensar besteira. ui
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
aprendiz metálico
sabendo de coisas ociosas perdidas encaotadas na gaveta do supramundo enigmatico psicodélico
clara mente nada
travessia
nunca subestime os ditos populares
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
o lado inesperado da sombra

a garganta rachava como se fosse o chão rubro do sertão, rachava em cruzes diagonais
pontiagudas
felinamente em brasa
a ardência do seco, do ressecado
o desespero do mal-estar físico apoderava-se do meu corpo
tremia naquele absurdo de não saber exatamente aonde estava
navio de pedra outrora fantasma, vagando indeciso, em marés de chocolate tão sujas mais tão sujas, que de chocolate o petróleo subia aos olhos
de quem vê e de quem sente
animais cristalizados sem saber a qual tempo pertencem, porque no fundo daquele mar não pertencem a nenhum lugar, não-lugar... quem sabe?
continuo vagando e o vento assovia a aurora, que chega inútil, infantil, obsoleta
esqueceu-se que há muitas décadas perguntou: e quem vai lembrar de mim? Ah sim! estão vendendo encaixotada ou em lata,
ai fica mais barato.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
mas isso virou o mito da história que nunca começava porque não tinha nome
nela, um locutor de rádio recitava poesias
as poesias dele só podiam ser ouvidas por ele com o ouvido direto
se ele ouvisse as poesias com o ouvido esquerdo, saia se arrastando por ruavenidas representando tudo que dito era na poesia.
ele já sabia
ele já sabia
se arrastando por ruavenidas espantalho enigmático clarividente o quão importante era ouvir as poesias que recitava com o ouvido direito
porque quando esquerdo
nunca mais voltava a ser como fora aquele dia mesmo
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
ai xixi! banheiro caminha gostosa o despertador só vai tocar 10 pras 8. graças a deus!
que isso? d’aonde veio essa terra? (dois montes de terra tomaram o lugar da cama) e a televisão que não desliga. Porra! já vi o filme, passa numa pedreira. flutuava na pedreira como imperceptível fumaça de pedra, pó translúcido de cristais incolores, só cristais.
olhou o relógio de novo, tinha medo da hora, às vezes ela não despertava.
manhecendo. tudo é tão rápido em pé como muito o divagar deitada.
10 minutos
o barulho do ventilador parece atrasar o relógio, morno, ventilava do jeito que são feitas as coisas desinteressadas.
esqueci aonde estava, tentei subir aquele monte de terra quando pisava meu pé sumia naquele universo movediço de água turva da terra.
A televisão chiava, mesmo assim não conseguia enxergar a tela inerte, via minúsculas partículas de luz que adentravam pelas fretas da madeira, felizes por anunciar um novo dia, que além de novo era lindo. Vejo o azul sereno através das pálpebras fechadas. Nua em corpo etéreo me aproximei da porta envidraçada, lá fora tudo estava mostarda e um rio de chuva fluía imponente pelo jardim ostentando arvores centenárias e derivas de uma época. A vida deve ser exata.
queria ficar em casa dormindo quase uma eternidade, mas o relógio só 10 minutos.
no quarto encontrei uma bateria preta, meio quebrada, os pratos jogados, o som rarefeito por janelas e becos e desejos de saber d'aonde vinha a magnífica melodia?
Toquei,
mesmo sem saber...
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Quando o chocolate acaba é foda
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
beijo obtuso
melhor seria se a obra fosse obra da cabeça, porque ontem pensei muita coisa interessante como sempre na hora de dormir, sem dormir para pensar coisas interessantes que no dia seguinte sei que não sei ao mesmo tempo
será que armazenamos cada coisa interessante que pensamos e depois em algum tempo da vida, em algum momento crucial para nossa vida essas coisa interessantíssimas aparecem e resolvem um problema que assolava a humanidade
é, acho que se essas coisas interessantes fossem tão interessantes assim, nós lembrariamos a qualquer tempo
uma vez eu vi uma reportagem numa resvista, provavelmente de neurologia, não, é claro que era de neurologia! se bem que poderia ser só de saúde mesmo; então, lá dizia que cérebro, às vezes, guarda coisas sem importância em detrimento de coisas importantíssimas, por exemplo, acredita que esqueci o nome do menino que me deu o primeiro beijo? o beijo foi uma merda, mas não chegou a ser um trauma e mesmo assim esqueci o nome do indivíduo, por outro lado, lembro perfeitamente do primeiro garoto que dei uma bofetada, foi incrível... direita esquerda pá pum!
talvez não seja tão importante um beijo merda, e sim uma bela porrada bem dada.
veja lá o que acha importante, vê se não vai sair por ai esbofeteando as pessoas, até porque, tenho reparado que as pessoas acham importantíssimo agredir e não se interessam em beijar
estranho...
domingo, 20 de setembro de 2009
varanda pra que te quero
ninguém sabia, mas também o que poderiam saber? que dou saltos maiores que as pernas?
pernas...
que pernas? é o caralho! não aguento mais isso não
achar que poderia autorizar todas as coisas que acontecem, como se acontecessem por mim e não por elas, elas que se fodam eu sou a melhor, sou a controladora dos vegetais que chegam escondidos mais chegam, sempre chegam, coloridos, demais
a varanda é linda pratiada escorregadia, milhões de anos se passam e são iguais, quase iguais todas as varandas. e eu? pra que vou querer uma varanda? lugar que não merece todos os passos. para
madeira demarcada na boca do estômago. perâ ae! vou fumar um cigarro e ver se ainda tenho estômago nesse tempo que para ter estômago tem que pagar, engraçado? fuma ai.
sábado, 5 de setembro de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
água salgada ou clorada pesa mais
são só palavras perdidas no vão da memória viajando sozinha.
um dia volta
quem sabe?
num campeonato de bombas d'água, mergulhos desafiando a gravidade liquefeita
já não sabia e me encontro
perfuro a pedra densamente existencial, já não me lembro... é como ir à caixa de correio e querer saber como vim parar aqui? de onde eu vim? aonde?
não existe mais casa, lugar
a imagem do espelho é outro;
outro, e conversaremos com afeto até quando?
imobilidade de pedaços espalhados, espelhados, visão que todos vêem e não sabem que vêem, ou não dizem ou não sabem dizer, sentem errado. será?
só lembro que esqueço e esquecer é preciso para não se perder em espaço vazio.
coisas importantes, importantíssimas pulverizam-se no ar.
só resta uma coisa
cogitar se a água do mar é mais pesada que a água da piscina.
sábado, 15 de agosto de 2009
é castanha do pará, açai pra mastigar, Venho de Belém...
Emocionei-me, inestimavelmente, perante paisagens tão sossegadas, tão demarcadas por uma imensidão de águas marrons, que contrastando com a terra de um outro marrom, simulavam a fluidez do chão. Um chão fértil, agraciado pelas frutas de todos os cheiros, gostos e cores. Frutas que tornavam nossos caminhos deliciosos e cheios de texturas.
Pensei nisso de amar as texturas. De morder a suculenta carne de um caju, ou abrir a vagem do ingá para chupar suas admiráveis frutas minúsculas, que vinham aos montes, tornar-se-ia, quem sabe, uma obsessão.
Poderia viver ali para sempre, mas nem todo o sempre me faria entender o que era viver daquela vida. Acordar naquele universo, aonde a modernidade chega esmagadora, impondo à casas sem portas nem janelas, um aparelho de televisão a cores e uma roupa no crediário.
Diziam que a vida era triste...
E curar a melancolia com uma realidade inalcançavel? Não é triste? É patético!
Arrebenta os nervos, porque eles nunca saberão se existe um mundo para compensar aquele. Aquela miséria poética, aquela miséria em que o sol nasce e se põe numa imensidão de águas marrons, cristalinas e doces, tão doces como os peixes que a habitam, e que não sabem mais nadar.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
invisível vaca arcaica
sentir no erro consentimento
o despertar para a vida, o sonho
a existência
(inspirado por ignotaprova de alguém que não prova nada)
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Beneditu sumiu
Vai seu Benedito
– Tá boniitu... vai faze exami di feze?
– Ora... vá à merrrda!
Benedito seguiu pensativo
Na cabeça de Benedito: será que ele tá falando porque sabe? porque oviu?
Minha nossa... aquela vaca disse que não ia faze fofoca! Puta que....
Falou di exami di feze. Fezes. Por quê?
Passo pelo mermo caminho, tava me tirando pra marica, me sacaniando. Aquele cabra de uma figa! Com um tanto de cabelo branco, já deve te passado pela vergonha...
O carro em alta velocidade
– BIBIIIIBENNNN! OLHA A RUA SEU VELHO MALUCU!
– BARBEIRU FILHA DA PUTA, BANDALHEIRU! COMPRO A CARTEIRA, SEU DESGRAÇA!
Benedito seguiu pensativo
Quasi ralei meu cú nu chapiscu. Ai meu deus! faz isso comigo não, me dá um sinal, só um sinal... isso não ta certo! um homi que nem conheço invadindo minha intimidade, minha coisa di machu...
Dona Maria
na cabeça de Benedito: – dexa di fala bestera Benedito! Já marquei sim! e você não vai sumi coisíssima nenhuma. Ah... para homi! Cê tá com medo de disfaze a masculinidade? Si garante não, homi?
– mi garanti? ... ai meu deus! é aqui. Largo das flores, 747.
O homem entrou andado simplesmente
– Senhô! Senhô... tenque dexa indentidade. – desesperou-se o porteiro.
– identidade uma ova. – resmungou Benedito entrando no elevador.
Benedito parou pensativo
Acha que eu queru me identificá? quiria mermo era tá de disfarci, coisa meio 007. Mas aqueli cara não... era machu!
Tinha que sê 402... Olha, sabia! É númeru di viadu, o cãnalha boto au contráriu só pros otárius não repara.
– vô imbora agora! Tá pensandu que vai me açoitá, tá muuuito inganadu.
Surge um senhor de fraque salmão
– Posso ajudá-lo? O senhor deve me perdoar, estava almoçando e regressaria logo logo. Esperou muito?
– quem eu?
– É! o próximo paciente, não?
Benedito olhou para baixo e percebeu que o homem tinha uma perna maior que a outra, voltou a olhar para cima e reconheceu aquele olhar.
– Nadinho? É você?
– Benedituuu...
– ham! Que dize que tu viro médicu? (no bom sentido é claro!)
– xiiii! Entra ai.
Entraram ambos felizes e sorridentes. Até a secretária entortou o nariz para tamanha alegria naquelas circunstâncias.
Conversa vai, conversa vem...
Benedito fez o exame
– nem foi tão mau assim... mas não conta pra ninguém não, hein oh? Nadinho Boca Mole. Hahahahahahhahaa.
– Segredos da profissão! Vô ti dize que uns até se perguntam por que nunca experimentaram antes...
– Disconjuru!!! Cambada de baitola...
– HAAAHhhahaha! Não precisa ser com homem, né oh?
Benedito pensativo...
– Então... Beneditu, foi muito bom te encontra. Ééé... Já que mora aqui perto, o que acha de almoçarmos amanhã? pra botar o papo em dia.
Benedito pensativo... e de boca aberta...
– tá doidão? é Zé Machão! HAHAAAahaha!
Agora lembrei! Era assim que a galera te chamava Zénedito. Sempre com a mesma cara, o mesmo olhinho.
– Ih! Sai fora Boca Mole. Cê também não é das maiores beldades.
– Enfim, tenho um paciente agora, e o almoço? Pode ser?
– Mas é claro! Quero saber como cê entro nessa bocada de médicu.
– então até amanhã. Fica combinado 13h.
Nadinho Boca Mole levou Zénedito até a porta como nos tempos dos jogos de botão em seu quarto.
Bons tempos aqueles... Benedito desceu aliviado como se tivessem tirado uma bigorna das suas costas.
– Quem diria? Maria Louca não vai acreditar quando eu contar.
Dona Maria Louca
– viu só? Sabia que num ia tê male algum! Vô passa seu terno pra amanhã cê ta bem bonitão... meu maridão importantão!
– muuitu bem mulhé, vai cuida do seu maridão importantão!
Enquanto isso... Benedito parou pensativo
Boca Mole... quem diria? meu chapa. Amanhã vô sabe como ele viro médicu... ops! Pêra ai! Ele é meu urologista. Meu deus! Sai fora, não posso almoça com esse homi. Ainda mais amanhã, vão dize que gostei. Zénedito seu animal! Burro pra caralhu! E agora?
No dia seguinte, Nadinho ligou para a casa de Zénedito para saber se estava tudo bem
– Alô! Por favor, o Seu Beneditu esta?
Dona Maria
– Beneditu sumiu!
terça-feira, 9 de junho de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
GOELARDENTE
corredores ignorando horizontes
Cada canto um arranjo peculiar
Chão de rabo de pavão, paredes discotecadas, aromas afrodisíacos exalados por plantas exóticas e tropicais, pessoas cristalizadas em carros alegóricos, boás, marabús e estolas, lantejoulas, bolhas de sabão... é carnaval! (bad trip) quitutes da casa da vovó, barmans pretos, gregos, todos nus, ostentando suas oceânicas serpentes em bandejas e servindo drinks caleidoscópios em vidros coloridos.
Lá fora era só neve, tanta, que a paisagem era uma fotografia em papel couché branco brilhante – ruína da história que se passara.
Para mim ainda não há passado
O tempo insólito deita sobre mim sua gosmenta e movediça sombra
Confinei-me a viver para sempre, ali
isso...
se a reinvenção de algo que nunca vai deixar de ser
existir realmente
Jofrey, por favor:
um drink no inferno.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
venenosa e doce
ou chamamento deSamor de Bruxa
ávido desejo de espera
eis que caiu a noite
uma madrugada fria
por não estar distraído pisou em falso, manipulando
curvas e aromas e delícias
o veneno escorreu; sentiu desabrochar o antídoto (oposto extremado de forças límbicas) de metabolismo voraz
inseto invasor de flores
a planta carnívora ataca e o engole lírica, amorosa.
doce fel dos desamores sem nome, sabor de não deixar-se distraído e não dizer...
profeticamente nomear o caminho amaldiçoa o errante – erra pensando naquele reflexo do nada inominável.
ai liberta-se da verdejante fonte que nutre e não cessa
perpetua-se venenosa e doce
sábado, 11 de abril de 2009
vem comigo, no caminho eu te explico...
indefinido sem saber ao certo em qual traço me traço.
um invólucro de chamas remediadas aceleram o ser que há em mim
fonte do que não era – nunca devia ter sido.
unidade indivisível da expressão, o estômago embrulhado de papel crepom dolorosamente descolorido.
não devia ter me metido a fazer o que não era para ser feito.
é o caos!
sou o caos...
organizo no centro partes estilhaçadas de uma mesma coisa
antes múltipla; agora retalhada.
esfumaçado ando, ultrapasso pontos de vista, derivações, poderes; paredes indefiníveis de um tijolo unânime.
tem uma cabeça de macaco na ponta do meu lápis. escreve intenso sem saber se é de hoje que começou a pensar em símbolos; psicografar saberes inconscientes reunidos em um lugar ou não-lugar.
a escolha é fria, ávido desejo dos ventos, sentimentos invisíveis retos batidos inalados em absorção sem fôlego.
trôpego desço aos confins do universo
um invólucro de chamas remediadas aceleram o ser que há em mim
incrédulo olho para o céu de um banheiro no submundo (que é o meu) a luz fria ardente de partículas embolotadas.
paredes raspadas pelas unhas de animal dopado escancarando face, segredo incorpóreo desatando mascaras malignas sociais.
ato ou efeito de incrustar-se com comportamento limoso, escorregadio
vadio ao nada.
malandro dos becos ilustres desviando da linha reta; obliquamente a um plano ou uma direção.
me faço traço!
um grito incontido me arde a garganta – não – mais uma só mais uma...
uma verdade verdadeira, umas caras de esculacho.
sf. 1. Ação de atormentar, de perseguir. 2. Psiq. Sentimento ou ideia que, gerando angústia, se impõe à consciência de um indivíduo. [PL.: -sões.]
obsessão, me diga se entende melhor?
sf. 1. Pesar de ter cometido ação má ou pecado. 2. Pesar profundo. [Pl.: -ções.]
não é o que você esta pensando
esta pensando em compulsão, não é?
é isso,
mas errou,
eu errei e só achei compulsivo – que compele, irreprimível.
compulsório – que obriga ou compele.
é! fomos compelidos a acreditar que compunção (é isso idiota!) compunção e não compulsão...
vá ao dicionário, até você pode buscar essas definições de merrda da grande bosta social.
vai,
até você pode ser Aurélio.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Entravamos na casa pela primeira vez.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
devaneio em 40segundos

No desconhecido é aonde tudo acontece. as Influências são invisíveis; não percebemos o traço instintivo da busca. Buscamos, sim. Pelo simples fato de buscar alguma coisa. Completar algo que não se completa, algo incompletável. Somos pela metade. se ser fosse holístico, não seria ser e sim, seria... é!
HAHAhahahahaha!
Indefinidos por um alfabeto volúvel, que se altera pela vontade de quem? Também não sei, ora bolas. de terceiros, quartos, quintos dos alteradores de discursos. Que há séculos atuam desconstruindo mentes seguras de si. transformando tudo numa roda-gigante de um parque enferrujado, sem alvará e no interior de um lugarejo.
Renunciaremos à diversão, indevidamente compenetrados em sobreviver em circos perigosos de parafusos caducos cor de telha.
Só sei que percorreremos as veredas do espaço, não de qualquer espaço, porque qualquer espaço de força gravitacional ainda não foi comprovado cientificamente, mas de espaço sideral.
da poeira cósmica, do buraco negro, da falta de leis, das estrelas... sinestésicas fantasmas (semi-mortificadas).
Sopraram em meu ouvido que a ideia esta no ar, não esta ideia, qualquer uma, seja ela infrequentável ou não. Uma força fotográfica fixa a ideia em mim como uma imagem 3D. Percebo-a em perspectiva de mundo; de um mundo assolado por mídias regraváveis.
Preveem; lhes pergunto: Alguém me entende? com tanta falta de acento?
A comunicação esta ai, esta pairando querendo nos dizer alguma coisa...
onde estão os ORIGINAIS? ou o que quer que sejamos
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
PAIXÃO SEGUNDO prazer esfumaçado
tédio insuportável.
prazer solitário com cigarros quase enfileirados.
uma abaulada cadeira de vime espreitava um jardim de pedra, planície imóvel.
vigília constante como instintiva noção do espaço, desguiado por perninhas confusas.
o corpo estático e cortante assume posição de ataque.
deitada em horas desbaratadas, espero, espero... o momento certo...
o momento de PULAR... PEGUEI!
pressiono-a sob força controlada. dou-lhe chance com um suspiro de esperança; ela corre embriagada com a vontade de outros que já estiveram assim.
acho graça
cócegas latentes quase pequenas.
às vezes nunca, uma compaixão pulsava demasiado estranha.
queria entender porque essa obsessão? só com elas, sempre com elas.
Asquerosas e Crocantes como outros que já estiveram assim.
patadas bruscas e suaves para ganhar tempo, arranhões dissonantes a suspendiam levemente do chão, petelecos levitantes, rodando, escorregando, encerando.
subitamente encararam-me quatro olhinhos amarelos; revidando descobri uma estrutura semelhante a um óculos - óculos de silicone oval, as hastes negras.
“Só estava indo dar comida para meus filhotes” divergiu no ar.
senti um enjôo tremendo borbulhando do estômago.
lembrei de meus amores líquidos, amores que se vão, algo sempre
Clarice – respondeu.
Já ouvi este nome!
Não importa,
desisti de ser na hora e com gritos de insatisfeção!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Transtornos Neuróticos Contemporâneos

Semanas esperando
Um curso de sábado; nunca imaginei tamanha ansiedade.
No dia de realizar meu desejo, há tanto incubado, acordei 10h da manhã. A contação de histórias começaria 14h, não precisa dizer que é da tarde, né? isso mesmo! era um curso para aprender a contar histórias, e a ouvir também. Mas não pense que era um curso clandestino, para mentirosos, estelionatários, ou algo assim; pelo contrário, era um aprendizado de vida - vivida e vivenciada.
Passei noites em claro, confabulando: o que diria? qual história contaria? como me comportaria? será que gostariam de mim? da gola do meu vestido? (essas ocasiões pedem gola, e das grandes) e do meu cabelo? Acho que dei uma exagerada no laquê, é, uma levíssima exagerada.
MEUS DEUSES DOS CÉUS!
O relógio marcava 13h.
Fiquei com os movimentos desarticulados. Estava atrasada!
Comi rapidamente, coisa que não estava acostumada, um macarrão alho e óleo, eis outra coisa incomum, pelo menos para mim. Consegui a receita com uma amiga, que ao ditá-la, confessou o tal segredinho, aquele que existe em qualquer culinária. Para ficar perfeito, no ponto... muito óleo, ou muito alho? Por via das dúvidas, usei muito dos dois.
Sai correndo, nem assim. Correndo, esbarrando, suando desengonçada, atropelando transeuntes alheios...
Cheguei quase 1h atrasada. Que vergonha!
Acomodei-me em uma cadeira na última fileira.
30 min depois, meu estômago começou a reivindicar existência.
Como se o houvessem engravidado dois monstros fantásticos, ele se remexia, se contraia, se tremia espasmodicamente...
Agüentei essa luta mediúnica sabe-se lá quanto tempo. Mas fui valente, forte, inteligente, despudorada... é despudorada! Pois, vagarosa e elegante, corri para o banheiro. Fiz isso barbaramente decidida!
Chegando ao jardim das delícias, quase um lapso de orgasmo, a não ser pela triste verdade: as duas únicas cabines estavam ocupadas.
Me remexi, me contrai, me tremi.
Quanto mais eu rezava, tanto mais a fila atrás de mim crescia; brotavam mulheres por todos os lados, quase uma procissão improvisada (claro que se outras estivessem rezando, talvez até estivessem, por motivos diversos, dos quais jamais saberemos).
Os monstros do estômago ainda guerreavam bestiais.
Finalmente, uma senhora saiu do banheiro e disse “não tem papel!”
Olhei estarrecida para os lados, mexendo a cabeça num ritmo descontrolado, e percebi aquele maravilhoso papel lixa de secar as mãos. É isso!
Entrei na cabine como quem descobre o sentido da vida. Descarreguei toda minha consternação, sem me preocupar o quanto esse despertar de uma nova vida seria inoportuno. Frente à irrelevante platéia, deu-se o legitimo Nirvana, acessível, aflito, malcheiroso!
A pior desgraça estava por vir, porque a senhora mensageira do papel esqueceu-se de avisar sobre a falta d’água. (AAAAAAH!!!!)
Despencando em meio a assuntos femininos e risinhos extrovertidos, retirei leite da pedra, pois em abrangente meditação, consegui um último e tímido esguichinho.
A tampa estava fechada, recorri a todos os santos e também aos deuses que tinha apelado antes, mesmo tendo eles sido bastante ingratos.
Por favor, rogai por mim, crente pecadora! levem essa maldita escultura de barro falsificado.
Quando tive a coragem de abrir...
Lá estava ela, uma bolinha abastada, rebelde e cheia de si mesma.
SIM! VOCÊ saiu vitoriosa!
Só não lhe disse umas boas verdades, porque minha situação ficaria ainda pior: a coisa estava preta, definitivamente, não cheirava bem.
Com o gritinho de agora pouco, já ouvia dissonantes comentários. (Tá bem! Não foi tão gritinho assim; vamos, cortem minha cabeça, acabem logo com isso!)
Precisava pensar em outra saída, outras possibilidades.
Deixar aquela bolinha ali, fora de cogitação.
Pensa; Pensa; Pensa. (Todos os meus pensamentos foram despejados).
Pegue-a.
Sopraram no meu ouvido. Não sei de onde veio esse impulso - eu juro!
O câncer se apossava de todo meu corpo. Precisava sair dali, daquele buraco, daquele antro fétido de excretas.
Distraidamente, começava a ver flores multicoloridas, suculentas, exalantes de um aroma a dama da noite. Um alivio, estranho abismo da imaginação.
Sentia-me debruçada em uma janela sem vista; enxergava madeira maciça, uma porta fechada para o mundo, que corria despercebido.
Imbuída num desespero enraivecido, fora desse corpo, acertei a mão delicada na afável lixeira, para resgatar meu próprio papel, afinal, era meu, e eu não poderia investir nessa empresa de mãos abanando.
E foi assim: com meu próprio papel, tentei agarrar minha própria bolinha.
NÃO!
Ela se desfaleceu, multiplicou-se claramente e revidou: “Somos todas parte de você, mulher despudorada!”
Aquela bola de merda!
“VAI TOMAR NO CÚ!” Respondi a altura da baixaria.
Derrotada.... procurei me recompor. Sem tocar em mim, é claro!
Levantei o olhar de mulher despudorada, sai da cabine e elegantemente avisei à seguinte:
“Cuidado! Está sem água”.

